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“2039: Ficção ou Profecia?”

I. Prefácio

O que o espera em 2039? Essa é uma novela de ação, de brutalidade, da maldade humana que atinge o seu ápice quando o poder político- econômico conseguiu libertar-se de todas as amarras civilizatórias para oprimir, destruir e enriquecer.

A novela é um grito de alerta dado pelo narrador que viu, ouviu e viveu coisas demasiado grandes para ele mesmo, fortes demais, irrespiráveis, desceu ao poço profundo da miséria humana, comeu de sua própria desmedida, e disso tudo trás memórias que o esgotam. Pois também o autor que assume a criação já chega com o corpo ferido, a alma dilacerada, os olhos vermelhos das lágrimas vertidas, os tímpanos perfurados por tudo o que ouviu e que sabe que ainda tornará a ouvir.

Mas é necessário libertar a vida em toda parte em que ela esteja aprisionada pelo homem e no homem, pelos Sistemas que ele cria para encarcerá-la, impedi-la de alcançar sua plenitude. Seria um absurdo pensar que a Justiça e o Poder dos homens sejam uma inexaurível fonte do mal, destinada para o proveito de poucos a quebrar o corpo e a alma dos esmagados, destruí-los, transforma-os apenas em objetos?

Um empreendimento de prevenção em saúde pública coloca o autor como curandeiro de si próprio; o narrador fragilizado pela vida que mutila busca o remédio para si e assume as competências necessárias para tratar o próprio mundo e a vida. E para isso, ele inventa uma sociedade; um, dois, uma dezena e, de repente, milhares de homens com o espírito da revolta a se multiplicarem, num mundo tremendo que esmaga pela descriminação, pelo lucro, pelo consumo e pela ostentação.

Todo um universo ficcional transportado para o futuro, cujos vírus estão já inoculados e em atividade, preparando um devir tremendo, sobre o qual o escritor delira. E é nesse delírio que se cria a possibilidade de cura: um enorme berro de alerta!

Que a ficção não seja profecia está voltado à produção de anticorpos que destruam os vírus da intolerância, da maldade, do preconceito e da exclusão social. Vírus cujos tentáculos permeiam a vida e que adquirem direitos exclusivos em quase todo o tecido social.

Pois a banalidade do mal não comporta limites. Ela fere e dilacera, deforma humanidades ou as assassina, transforma os dominantes e os dominados, desumanizando-os a todos. O ódio sempre recria o caos em um processo vertiginoso e dele se reabastece, num crescendo de destruição de quaisquer esperanças construídas. Mas será que o homem é capaz de sobreviver num mundo sem esperanças, do qual todos os vestígios de superestrutura social que tendem a integrá-lo foram abolidos? Será que a Nova Ordem será capaz sempre de sufocar e escravizar os trabalhadores, de praticar o extermínio físico dos dispensáveis sociais?

O novo Sistema cujo “ovo da serpente” já foi parido conseguirá extirpar as conquistas do homem civilizado, os direitos humanos em sua mais indelével expressão?

O fascismo do século XXI, ao tornar-se dono da mais potente tecnologia jamais sonhada, conseguirá exilar o germe de revolta que sempre brotou no ser humano? Conseguirá extirpar do homem o que ele tem de melhor em suas relações com os seus semelhantes, a compaixão, a solidariedade? Uma raça humana bastarda e mesmo oprimida em seu limite máximo ainda será capaz de agitar-se sob a dominação, de resistir a tudo o que a esmaga?

“2039: ficção ou profecia?” é ficção que se cinge de profecia ao correlacionar-se com 1939, com o nazismo em seu auge. Em 1940 ele se crê, em breve, senhor de todo o mundo. Em 1945, o nazismo está destruído. No século XXI, o capitalismo selvagem e o neoliberalismo somente alcançam sua verdadeira unidade e solidez quando abraçam o fascismo, com ou sem máscaras. 2039/ 2040 podem muito bem ser o marco de sua supremacia. Mas sempre poderá haver um 2045 a sobressaltá-lo, a cintilar esperança nos corações dos humanos sensíveis, dispensáveis, escravizados.

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