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“2039: Que a ficção não seja profecia”

Esta é um Novela de autoria de Carlos Russo Jr., Registro na B.N. : 643.212, livro: 1.236, folha 483.

Sumário

Como preparar o leitor para o que o espera em 2039? Essa é uma novela de ação, de brutalidade, da maldade humana que atinge o seu ápice quando o poder conseguiu libertar-se de todas as amarras civilizatórias para oprimir, destruir e enriquecer.

A obra é um grito de alerta dado pelo escritor que viu, ouviu e viveu coisas demasiado grandes para ele mesmo, fortes demais, irrespiráveis, desceu ao poço profundo da miséria humana, comeu de sua própria desmedida, e disso tudo trás memórias que o esgotam. O autor que assume a criação já chega com o corpo ferido, a alma dilacerada, os olhos vermelhos das lágrimas vertidas, os tímpanos perfurados por tudo o que ouviu e que sabe que ainda tornará a ouvir.

Mas é necessário libertar a vida em toda parte em que ela esteja aprisionada pelo homem e no homem, pelos Sistemas que ele cria para encarcerá-la, impedi-la de alcançar a plenitude. É absurdo pensar que a Justiça e o Poder dos homens sejam uma inexaurível fonte do mal, destinada para o proveito de poucos a quebrar o corpo e a alma dos esmagados, destruí-los, transforma-os em objetos.

Um empreendimento de prevenção em saúde pública coloca o nosso escritor como um médico, curandeiro de si próprio, fragilizado pela vida que o mutilou, busca o remédio para si e assume as competências necessárias para tratar o próprio mundo e a vida. E para isso, ele inventa uma sociedade; um, dois, uma dezena e, de repente, milhares de homens com o espírito da revolta, num mundo tremendo que esmaga pelo lucro, pelo consumo e pela ostentação.

Esse é um mundo ficcional que é transportado para o futuro, mas cujos vírus estão sendo inoculado, preparado para um devir tremendo, sobre o qual o escritor delira. E é nesse delírio que ele cria a possibilidade de cura com seu enorme berro de alerta!

Que a ficção não seja profecia” está voltado à produção de anticorpos que destruam os vírus da intolerância, da maldade, do preconceito e da exclusão social. Vírus cujos tentáculos permeiam a vida e que no delírio do autor adquirem direitos exclusivos em quase todo o tecido social.

A banalidade do mal não comporta limites. Ela fere e dilacera, deforma humanidades ou as assassina, transforma os dominantes e os dominados, desumanizando-os.

“2039: Que a ficção não seja profecia” é ao mesmo tempo uma viagem catártica. Delírio ou pesadelo do qual se possa despertar em uma forma de realidade. Ao lado disso ele nos evoca o espírito de Esculápio e de João de Patmos, pois busca no desespero encontrar na revolta e na solidariedade humana, defesas indestrutíveis, mesmo no seio de uma sociedade tecnológica e fascista, apocalíptica em seu mal eternamente reinventado.

Uma ficção que se cinge de profecia ao correlacionar-se com 1939, o nazismo em seu auge. Em 1940 ele se crê, em breve, senhor de todo o mundo. Em 1945 o nazismo está destruído. No século XXI, o capitalismo selvagem e o neoliberalismo somente alcançam uma verdadeira unidade e solidez quando abraçam o fascismo, com ou sem máscaras. 2039, 2040 também podem ser o marco de sua supremacia. Mas sempre haverá um 2045 a sobressaltá-lo, a cintilar esperança nos corações dos “humanos sensíveis,  dispensáveis e ou escravizados”.

O ódio sempre recria o caos em um processo vertiginoso e dele se reabastece, num caos feito de destruição de quaisquer esperanças construídas. Mas será que o homem é capaz de sobreviver num mundo sem esperanças, do qual todos os vestígios de superestrutura social que tendem a integrá-lo foram abolidos? Será que a Nova Ordem será capaz sempre de sufocar e escravizar os trabalhadores, de praticar o extermínio físico dos dispensáveis sociais? O novo Sistema cujo “ovo da serpente” já foi parido em nosso meio conseguirá extirpar os valores democráticos essenciais, as conquistas do homem civilizado, os direitos humanos em sua mais indelével expressão?

O fascismo do século XXI, dono da mais potente tecnologia jamais sonhada conseguirá exilar o germe de revolta que sempre brotou no ser humano? Conseguirá extirpar do homem o que ele tem de melhor em suas relações com os semelhantes, a compaixão, a solidariedade? Uma raça humana bastarda e mesmo oprimida em seu limite máximo ainda será capaz de agitar-se sob a dominação, de resistir a tudo o que a esmaga?

O delírio do autor busca respostas nesse Mundo Novo criado. Novo, mas que também é o nosso, que igualmente nos pertence e nos sufoca.

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