Beethoven, na dor, queria ´fazer soprar um pouco de coragem à humanidade’!

Chegando através de anos e anos de lutas e de esforço sobre-humano a vencer os incríveis sofrimentos de um gênio musical, surdo desde os seus 26 anos e com dificuldades de fala, Beethoven definia como sua tarefa “fazer soprar um pouco de coragem à pobre humanidade”. Para um amigo que invocava Deus, disse-lhe “Oh, homem, ajuda-te a ti mesmo. ”

Beethoven, em fevereiro de 1819, fez um discurso à Municipalidade de Viena:

“O ar é pesado a nosso redor. A velha Europa engolfa-se numa atmosfera repressiva e preconceituosa. Um materialismo sem grandeza atua sobre o pensamento e entrava a ação dos governos e dos indivíduos. Morre de asfixia o mundo em seu egoísmo imprudente e vil”.

Para o gênio nascido em Bonn, na Alemanha, mas que viveu quase toda sua sofrida existência em Viena, “A vida é um combate diuturno para aqueles que não se resignam à mediocridade da alma e um triste combate, geralmente sem grandeza, sem ventura, realizado na solidão e no silêncio... não tendo o consolo de poder dar a mão a seus irmãos, na desgraça, já que os ignoram e são por eles, ignorados. Eles não devem contar senão consigo mesmos”.

“É para vir na ajuda dos que combatem a mediocridade que eu pretendo me agrupar eles são as grandes almas que sofrem e sofreram pelo bem”.

Beethoven não tinha como heróis àqueles que triunfaram pelo pensamento ou pela força. “Chamo heróis apenas aqueles que foram grandes pelo coração; eu não reconheço outro sinal de superioridade, senão o da bondade”.

Para ele não existiam grandes homens de ação, nem mesmo grandes artistas. Por serem ídolos vazios o tempo os destruiria. “Trata-se na verdade, de ser grande, não apenas de parecer”.

Beethoven amava a liberdade!

“Fazer todo o bem que se possa. Amar sobretudo a liberdade. E mesmo que seja por um império, jamais renegar a liberdade”.


Beethoven nasceu em um mísero sótão em Bonn, na Alemanha, em 1770, filho de uma serva de trabalhos domésticos e de um tenor pouco inteligente e alcoólatra. Este tenor trancava o menino de quatro anos para que ele estudasse por horas o cravo e o violino. Quanta violência sofreu o pequeno Lwdwig! Quase desistiu da música.

Mas ele tinha que ganhar o próprio pão!

Aos 11 anos fazia parte da orquestra e aos 13 era organista! Aos 17 morre a pessoa que mais o amava, a mãe. O pai bêbado, imprestável, obrigou-o a assumir a educação de seus dois irmãos mais jovens.

Forçado a deixar Bonn quando ela estava sendo invadida por tropas francesas, viveu todo o restante de sua vida em Viena.

Inspirado no iluminismo e na Revolução Francesa de 1789, Beethoven será republicano por toda a sua vida. Todas as suas simpatias arrastavam-no para as ideias revolucionárias. Era partidário da liberdade, dos direitos humanos e da independência das nações. Queria o sufrágio universal e quando Napoleão Bonaparte começou a avançar contra o restante da Europa, Beethoven o saudou (Ofereceu-lhe a Sinfonia Heroica), imaginando que Bonaparte queria disseminar os valores revolucionários de 1789.

Quando aquele sagrou-se Imperador, Beethoven teve uma das maiores decepções de sua vida. Passou a odiá-lo!

Em 1819, Beethoven foi perseguido pela polícia política, Ele atacava os princípios reacionários da Restauração pós-napoleônica, como a organização da justiça arbitrária e servil aos poderosos, a polícia por sua violência, a burocracia barroca e inerte, os privilégios de uma aristocracia degenerada.

“Eu me tomo de paciência e penso que todo o mal, traz em si, um bem qualquer”.

Beethoven é uma força da natureza; e é um espetáculo de uma grandeza homérica.

“A música deve fazer jorrar o fogo do espírito dos homens”.

“A música é uma revelação mais alta que a sabedoria e a filosofia. ”

“Por que escrevo? O que tenho no coração precisa ser expandido. É por isso que escrevo. ”

“A liberdade e o progresso são as finalidades tanto na arte como em toda a vida. Se nós não somos tão seguros como os mestres antigos, a civilização moderna liberou muitas coisas. ”

“Entre meus mestres antigos, só Handel e Sebastian Bach tiveram gênio. No entanto, em todos os tempos, fui um dos maiores admiradores de Mozart e assim permanecerei, até meu último suspiro. ”

Ele e o grande pensador alemão Goethe estiveram uma única vez juntos. Seguiam por um caminho conversando quando deles se aproximou uma carruagem com o brasão real. Goethe foi para o acostamento e se curvou todo à passagem. Beethoven seguiu sereno e firme, sendo cumprimentado ele pelo arquiduque. Afinal, “O que sois, príncipe, vós o deveis ao acaso e ao nascimento, ao passo que o que sou devo-o a mim mesmo; no mundo houve e haverá ainda muitos príncipes, mas só um Beethoven existirá. ” Assim pensava este homem que jamais se curvou à aristocracia, aos desvios da fortuna, à sua própria doença!


“É um homem pobre aquele que não sabe morrer! Quando eu tinha apenas quinze anos eu já o sabia”.

Morreu na miséria dignamente, da mesma forma com vivera quase toda vida, exceto por um curto período de cinco a sete anos em que a fama o envolvera.

Foi enterrado no dia 29 de março de 1827.

Quase todo o povo de Viena acompanhou seu corpo até o cemitério de Wahring; havia mais de vinte mil pessoas!

No ano seguinte faleceria de tuberculose o grande Schubert. Sua última vontade foi cumprida. Foi enterrado ao lado do Mestre.

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