Cogito, 3.

A RESPEITO DO TEMPO DA RESISTÊNCIA AO FASCISMO Tempo aquele de sombras e crenças fortes, ideias definitivas e doação integral. Um tempo sem paz, recheado de violências inauditas, aliás nisso diferindo muito pouco de toda a história dessa velha humanidade. Mas, que, comparativamente aos dias de hoje, eram mais intensos e apaixonados, repletos de idealismos, de utopias que exigiam de muitos dos que se inconformavam o arrebatamento total; onde a pureza, a ingenuidade, a descoberta, seguiam às vezes pela mesma senda em que caminhavam a imprevidência, a quebra dos limites, a desmedida. Era o Espírito do Tempo. O Espírito do Tempo pode até mesmo ter o seu perfume aspirado nas linhas traçadas pelas mãos habilidosas de um narrador, não o seu sabor, pois ele é reservado exclusivamente para aqueles que o vivenciaram. E assim também ocorrerá num futuro, quando memórias do presente receberem sua própria pátina de antiguidade e vierem a ser contadas. Isto também porque o mundo não é criado de uma vez por todas para cada um de nós; ele vai, no decorrer da vida, acrescentando coisas, novos seres de que nem suspeitávamos. Quando quase nada subsiste de um passado antigo, depois da morte de nossos amigos, depois da destruição das coisas, aqueles seres permanecem sozinhos, incrustados em nossa memória inconsciente, muito frágeis porém mais vivazes, imateriais, mas persistentes, mais fiéis que as outras sensações percebidas. Assim se formata o Espírito de um Tempo que foi de resistência!

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