Em tempos de Guerra e Peste, a importância da arte! Aristófanes e “A Paz”!

O clima de era de absoluta liberdade criativa na Atenas democrática do século a.C., mesmo em tempos de guerra entre irmãos, atenienses e espartanos.

Ademais das desgraças trazidas pela guerra, Atenas era acometida pela peste, pois Guerra, Peste, Fome e Destruição sempre caminham juntas na história da humanidade!


E o Teatro Grego era uma ferramenta para a produção da cidadania.

A comédia dita antiga” era crítica tanto da política, quanto dos atores políticos e dos costumes. Nela, o cinismo da sátira se mescla ao próprio tom popularesco e nada do aspecto aristocrático das tragédias sobrevive!

E Aristófanes, foi seu maior expoente!

Mas vamos à Comédia “A Paz”, exibida pela primeira vez em 421 a.C.

Ela conta a história do lavrador Trigeu que, cansado de tantas guerras, resolve subir aos céus para resgatar a Paz.

O certo é que sofro quando vocês, filhos, pedem pão, chamando-me de papai e não tenho em casa nem mesmo um níquel! Desde que um graveto crepitou timidamente e um tonel atingido chocou-se violentamente contra outro tonel, não houve mais quem pudesse deter o mal e a Paz desapareceu.

Trigeu não é nenhum aristocrata, mas um camponês, e sua viagem é libertária! A humildade sobe ao Olimpo!

Para voar, Trigeu monta em um escaravelho gigante que se alimenta de merda, um dos pontos mais intrigantes da peça.

A quem Trigeu busca no Solar dos Deuses?

Chegando lá, encontra apenas o comilão Hermes que foi deixado por todos os Deuses que, com raiva dos homens, resolveram abandoná-los com suas mazelas e subirem “mais aos céus” para “parar de observar os homens insanos”.

Perguntas que um camponês faz: Onde estará o Pai do Universo? Por que ele permite a guerra?

E onde estará a deusa protetora de minha cidade, Atena, a da sabedoria, das artes, da inteligência e da justiça?

Mas, a quem perguntar se Trigeu encontra somente um deus: E justamente Hermes! O de sandálias aladas. Deus ladrão, herói da mentira e da malícia. Protetor dos viajantes, protetor dos ladrões!

E o Acompanhante dos mortos até o rio Lates.

Afinal, quem mais poderia seconder a Paz?

O deus está de guarda entrada de uma gruta!

E nesta está aprisionada A PAZ!

Trigeu pergunta ao deus: QUEM ENCARCEROU A PAZ?

Hermes: OS HOMENS! Nós, deuses, nada temos a ver com isso!


Mas não é nada fácil libertar a Paz e suas duas amigas e acompanhantes encerradas na mais profunda gruta!

Assim, Trigeu, volta à terra e se faz acompanhar pelo povo simples e num esforço heroico, liberta a Paz da caverna em que ela estava metida e a traz de volta para a terra.

Nos campos atenienses todos são recebidos com grande festa pelos homens de paz e com profundo pesar com aqueles que lucravam com a guerra!

Diz Trigeu:

Marchem todos por aqui fogosamente, diretos para a liberdade! Ajudemo-nos uns aos outros, gregos de toda parte, agora ou nunca! Chega de campos de batalha! Chega de uniformes militares! Acabar de raiar o dia luminoso de que os traficantes de guerra não vão gostar!

Não sou eu que quero; são as minhas pernas que começam a dançar sozinhas, sem eu sentir. Jogar as armas fora, é como jogar a velhice fora.

E a PAZ libertada tem duas acompanhantes!

A Alegria que é levada para ser desposada por cada Representante do Povo no Aerópago!

E ao final, ela se casa com todo o povo... Com certas exceções!

E A Abundância!


Mas, nem todos ficam felizes!

• Generais

• Fazedores de lanças

• Curtidores de escudos

• Fazedores de couraças e de arcos.

A eles todos, Trigeu lhes aconselha:

Mudem de Profissão: Generais, que tal trabalharem um pouco?

Fazedores de armas, precisamos de arados! As crianças, de brinquedos!

Fazedores de arcos, produzam harpas. Precisamos de música!

Em vez de semearem o ódio, o rancor e a morte, que dar vez à VIDA?

E viva A Paz, que traz a Abundância e Alegria consigo!!!!!!


Na vida real, após dois anos de estreia de “A Paz”, a Peste abandona Atenas e a guerra com Esparta arrefece temporariamente!

Após o inverno, sempre a Natureza volta a florir, e chegam para nos acolher a primavera e o verão! Insiste Trigeu.

Qualquer semelhança com a atualidade não é pura coincidência.

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